O inglês é falado por 1,5 bilhão de pessoas;
O chinês por 1,2 bilhão;
O indu por 1,0 bilhão;
51 línguas são faladas por uma pessoa
1.500 línguas são faladas por menos de mil pessoas;
240 línguas são faladas por 96% dos seres humanos.
Acredita-se que daqui a l00 anos restarão 100 línguas;
24 daqui a 300 anos.
O inglês, espanhol e chinês e espanhol sobreviverão.
O português será incorporado pelo espanhol.

A Língua Portuguesa

No período medieval, o português nasceu da cisão do galaico-português em dois falares distintos (galego e português).
A sua estrutura de língua novi-latina manteve-se mas recebeu, ao longo do seu período de formação, a contribuição de outras línguas, especialmente o árabe e as línguas germânicas.
No período renascentista, o grego e, principalmente, o latim erudito contribuíram para uma maior variedade vocabular, e para a estruturação lingüística e gramatical.
Com as Grandes Navegações e as Descobertas, a língua portuguesa adotou vocábulos de diferentes origens.
Nos séculos XVIII e XIX, sofreu influência do francês.
No século XX, do inglês.

As línguas no Brasil

Antes de 1.500 havia 1.175 línguas.
Hoje são menos de 200. Certamente línguas indígenas.
O Brasil não tem dialetos.
No máximo, tem regionalismos.

A língua portuguesa no Brasil

Os descobridores, os primeiros povoadores e os padres falavam o português.
Os índios potiguaras, viatãs, tupiniquins, caetés, tupinambás, guaranis, carijós, tapuias, aymorés, goytacazes e tamoios falavam suas línguas. Foram identificadas na costa cerca de 76 nações e línguas. Só no Amazonas existiam mais de 150. Os estudos das línguas indígenas começaram com o padre biscaino João Azpicuelta Navarro.
Os bandeirantes falavam a língua geral, mistura de português com as línguas indígenas
Em 1583, as línguas africanas foram introduzidas no Brasil com a chegada de quatro mil escravos da Guiné. Sofreriam alterações findo o tráfico. Nina Rodrigues foi o primeiro a estudar as línguas e os dialetos da Guiné, Angola, Moçambique, Costa da Mina, Daomé e Sudão, predominando o nagô e o ioruba, na Bahia, e o quibundo, no Norte e no Sul.
Em 1595, em Coimbra, foi publicada por Antônio de Mariz a “Arte de Gramática da Língua mais usada na costa do Brasil”, feita pelo padre José de Anchieta que também elaborou “Diálogo da Doutrina Cristã” e “Arte da língua brasílica” a que todos os jesuítas deviam ler.
Em 1727, Dom João V fez saber ao governador do Maranhão que os índios deveriam ser instruídos na língua portuguesa.
Em 1755 em São Luís e Belém só se falava a língua tupica, inclusive nos púlpitos das igrejas.
Em 1757, O Código do Marques de Pombal ou a Lei do Diretório tinha por objetivos vulgarizar a língua portuguesa Com ela se conseguiu mudar a língua do Pará, São Paulo e Maranhão, determinando o ensino da língua portuguesa.
Em 1768, o guarani era a língua usada na intimidade em S ???p?ão Paulo.
Em 1823, José Honório Rodrigues registrou in “Humanidades”, revista da UnB: A vitória real da língua portuguesa no Brasil só foi registrada 300 anos depois da chegada dos descobridores, quando os brasileiros falaram pela primeira vez sua própria língua, em reunião pública, nos debates da Assembléia Constituinte de 1823”
O português é falado em sete países, espalhados por cinco continentes, por mais de 230 milhões de pessoas.
181,0 milhões no Brasil
18,9 milhões em Moçambique
12,0 milhões em Angola
10,0 milhões em Portugal
4,5 milhões de portugueses na Europa, América do Norte e América do Sul
1,1 milhão em Guiné Bissau
1,0 milhão em Macau, Timor Leste, Goa, Damão e Diu
434,0 mil em Cabo Verde
134 mil em São Tomé e Príncipe
A língua portuguesa tem um acervo de 500 mil palavras.
A 1ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, em 1981, coordenado por Antonio Houais, registrou 360 mil palavras
Admite-se que hoje hajam:
160 mil na língua viva do Brasil e
140 mil na língua viva em Portugal.
Reformas Ortográficas na Língua Portuguesa
Em 1911, Portugal adotou a 1ª reforma ortográfica
Em 1931, foi aprovado o 1° Acordo Ortográfico entre Brasil e Portugal por iniciativa da Academia Brasileira de Letras e a Academia das Ciências de Lisboa
Em 1943, foi adotada a 1ª Convenção Ortográfica entre Brasil e Portugal
Em 1945, adotou-se a Convenção Ortográfica Luso Brasileira, em Portugal e não no Brasil.
Em 1971, foi promulgada Lei, no Brasil, reduzindo as divergências ortográficas com Portugal, com a simplificação.
Em 1973, foi promulgada Lei, em Portugal, reduzindo as divergências ortográficas com o Brasil.
Em 1975, a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras elaboraram novo projeto de acordo que não foi aprovado oficialmente.
Em 1986, realizou-se no Rio de Janeiro o primeiro encontro da comunidades dos países de língua portuguesa, tendo a Academia Brasileira de Letras apresentado o Memorando Sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Também se realizou o Encontro de Verificação Ortográfico da Língua Portuguesa, que teve como Secretário Geral Antonio Houaiss, que apresentou o documento Bases Analíticas da Ortografia Simplificada da Língua Portuguesa, em 1945, renegociada em 1986.
Em 1990, a Academia das Ciências de Lisboa convocou novo encontro juntando uma Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado por representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, e estabelecendo que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor em 1 de janeiro de 1994...

Há quem afirme que:
Uma criança usa 1.000 palavras
Um adulto, 2.000;
Uma pessoa culta, 5.000
Um pessoa erudita, 10.000.
O bra ???p?sileiro médio usa 2.000 palavras
Dicionários
O Dicionário da Academia Brasileira de Letras tem 72 mil verbetes
O Dicionário de Antonio Houaiss 228.500
O Dicionário Michaelis 200.000
O Dicionário do Aurélio 160.000
O Dicionário Larousse Ilustrado 35.000
O Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa 120.000l
O maior Dicionário do mundo é o Oxford English Dictionary com 615.00 verbetes. A 1ª edição saiu em 1927, depois de 48 anos de pesquisas, com 414.825.
A gíria no Brasil teria um acervo de:
50 mil palavras.
No meu Dicionário, 28 mil
No de Viotti, 5 mil (1957)
No de Nascentes. 2,5 mil (1953)
No de Amadeu Amaral, 2,0 mil (1922)
No de Elysio Carvalho, 500 (1912)
No de Bock l,0 mil (1903)
As referências sobre gírias
Em Portugal, nos séculos
XVI (Gil Vicente, Jorge Ferreira de Vasconcelos)
XVII (Dom Francisco Manuel de Melo)
XVIII (padre Rafael Bluteau e Manoel Joseph Paiva)
No Brasil,
XIX (Manuel Antonio de Almeida, Aloizio de Azevedo, J.Romaguera Correa)
XX (Bock, Elysio de Carvalho, Amadeu Amaral, Antenor Nascentes, Manuel Viotti, Monica Rector, Dino Pretti)

Como nascem as gírias.

Muita gente pergunta pelo correio eletrônico, bem como em entrevistas, encontros, seminários etc como nascem as gírias. ???p?
As formas são muitas:
1) neologismos, novas palavras com a lógica da língua, seja pela morfologia ou fonética;
2) metaplasmos
3) bordões, jargões, refrões, chavões, clichês, gritos de guerra, palavras de ordem, etc
4) palavrões e calões
5) ditados, ditos e expressões populares, frases feitas, frases de efeito
6) modismos induzidos, especialmente na tevê, um bordão que vira modismo
7) modismos tecnificados, especialmente na publicidade, uma frase, um slogan, uma palavra de ordem que vira modismo
8) regionalismo, caipirismo
9) vícios de linguagem, barbarismos, solecismos
9) palavras inventadas
10) corruptelas ou corrutelas
11) duplo significado. Na etimologia, uma coisa. Na gíria, outra
12) inclusão ou supressão de letras e sílabas
3) preguiça de se pronunciar a palavra por inteiro
14) simplificação da linguagem.

A maior palavra
A maior palavra da língua portuguesa não é anticonstitucionalissimamente, como durante muito tempo se falou, mas Pneumoultramicroscopicossilico- vulvcanoconiotico, com 46 letras., que significa estado de que é acometido de uma doença rara provocada pela aspiração de cinzas vulcânicas.

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"Esta obra é rica de signos e ???p? significados. Concordo com a observação do autor de que ela "é a manifestação da língua viva", representando apreciável vertente do nosso vernáculo."
Arnaldo Niskier, ex-Presidente da Academia Brasileira de Letras

"Quero dizer-lhe, muito lealmente, que você levou a bom termo alguma coisa de extremo interesse presente a futuro não só para a nossa lingua formal presente, mas também para a informal, cujos enlaces você não deixou de apontar."
Antonio Houaiss, ex-Ministro da Cultura e membro da Academia Brasileira de Letras."Gostei muito do Dicionário. É bom. Acho que Houaiss tem razão."
Marcos Vinicius Vilaça, Ministro do Tribunal de Contas da União e membro da Academia Brasileira de Letras"Um trabalho dessa ordem, pesquisando a linguagem falada do povo, das classes marginais tem, em nossos dias, uma importância muito grande para o estudo da lexicografia popular."
Dino Pretti, Professor da USP."Serra escarafunchou meio mundo, aqui e alhures, região por região, por todo esse Brasil imenso, a fim de registrar vocábulos e expressões de que se valem os brasileiros na sua prática coloquial cotidiana."
Blanchard Girão, Jornal ???p?ista.

"Trata-se de uma longa pesquisa em que você contribui valiosamante para o linguajar falado do brasileiro e isso ajuda sobremaneira a todos nós."
L.G. Do Nascimento Silva, ex-Ministro da Previdência e ex-Embaixador do Brasil em Paris."Desejo cumprimentá-lo pelo "Dicionário de Gíria" que você teve a coragem de iniciar a perseverança de levar a bom termo.
Osvaldo Della Giustina, ex-Reitor da Universidade de Tocantins.

"No seu livro, Serra e Gurgel, adverte que disseminação dessa forma de Linguagem, não raro também divulgada pelos meios de comunicação, pode estar levando o português falado no Brasil a se transformar numa língua ágrafa - ou seja, sem a correspondente representação gráfica para sua manifestação sonora."
Editorial do jornal A GAZETA, de Vitória, ES.

VEJA AS EDIÇÕES ANTERIORES DO JORNAL DA GÍRIA

Jornal Novembro de 1999
Jornal Dezembro de 1999
Jornal Janeiro de 2000
Jornal Fevereiro de 2000
Jornal Março de 2000
Jornal Abril de 2000
Jornal Maio/Junho de 2000
Jornal Julho/Agosto de 2000
Jornal Setembro/Outubro de 2000
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2001
Jornal Março/Abril de 2001
Jornal Maio/Junho de 2001
Jornal Julho/Agosto de 2001
Jornal Setembro/Outubro de 2001
Jornal Novembro/Dezembro de 2001
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2002
Jornal Março/Abril de 2002
Jornal Maio/Junho de 2002
Jornal Julho/Agosto de 2002
Jornal Novembro/Dezembro de 2002
Jornal Dezembro/02 - Janeiro/03
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2003
Jornal Abril/Maio de 2003
Jornal Junho/Julho de 2003
Jornal Agosto/Setembro de 2003
Jornal Outubro/Novembro de 2003
Jornal Dezembro de 2003
Jornal Fevereiro/Março de 2004
Jornal Abril/Maio de 2004
Jornal Junho-Agosto de 2004
Jornal Setembro/Outubro de 2004
Jornal Novembro/Dezembro de 2004
Jornal Janeiro-Abril de 2005
Jornal Maio/Julho de 2005

Jornal Agosto/Outubro de 2005
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2006
Jornal Março/Abril de 2006
Jornal Maio/Junho de 2006
Jornal Agosto/Setembro de 2006
Jornal Outubro/Dezembro de 2006
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2007
Jornal Março/Abril de 2007
Jornal Maio/Julho de 2007
Jornal Agosto/Outubro de 2007
Jornal Novembro/Dezembro de 2007
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2008

Jornal Março/Abril de 2008

Jornal Maio/Junho de 2008
Jornal Julho/Agosto de 2008
Jornal Setembro/Outubro de 2008
Jornal Novembro/Dezembro de 2008
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2009
Jornal Março/Abril de 2009
Jornal Maio/Junho de 2009
Jornal Julho de 2009
Jornal Agosto de 2009
Jornal Setembro/Outubro de 2009
Jornal Novembro/Dezembro de 2009
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2010
Jornal Março/Abril de 2010
Jornal Maio/Junho de 2010
Jornal Julho/Agosto de 2010
Jornal Setembro/Outubro de 2010
Jornal Novembro/Dezembro de 2010
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2011
Jornal Março/Abril de 2011
Jornal Maio/Junho de 2011
Jornal Julho de 2011
Jornal Agosto de 2011
Jornal Setembro/Outubro de 2011
Jornal Novembro/Dezembro de 2011



Jornal Mensal em idioma gírio – Edição 77 – Ano XII- Niterói/RJ –Janeiro-Fevereiro de 2012

 

500mil
500mil

Chegamos as 565 mil visitas acumuladas, o que nos gratifica.

A medição da nossa audiência apresentou as seguintes variações nos meses de outubro e novembro:.

Em outubro, tivemos 3.804 visitas de nacionais de 33 paises.

Mencionamos, pela ordem, Portugal, Estados Unidos, Argentina, Alemanha, França, Itália, Espanha, Reino Unido, Japão, Senegal, México, Moçambique, Polônia, Uruguai, Cabo Verde, Peru, São Tomé e Príncipe, Austrália e Bélgica.

No Brasil, foram 3.502 visitas de pessoas de 309 cidades. Pela ordem, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Recife, Manaus, Goiânia, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza, Vitória, Campinas, Cuiabá, Porto Velho, Quixeramobim, Joinville, Palmas, Aracaju, Natal, Santos e Florianópolis.

Em novembro, tivemos 3.222 visitas de nacionais de 36 países.

Fomos visitados por nacionais de Portugal, Estados Unidos, Reino Unido, Argentina, França, Japão, Espanha, Itália.

No Brasil, foram 3.001 visitas de 292 cidades, destacando-se, pela ordem, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Recife, Manaus, Porto Alegre, Goiânia, Belém, Vitória, Fortaleza, Osasco, Santo André, Campinas, Campo Grande, Maceió, São Luís, Joinville, Cuiabá, João Pessoa, Aracaju, Santos e Porto Velho.

Consolidamos uma posição, construímos uma referência.

xxxxx

A morte do prof. Albert Audubert, autor do livro "Gíria e argot - Dictionnaire d'argot brésilien (gíria)"

Recebi do Sr. Philippe Vaineau, colaborador permanente deste Jornal, o artigo abaixo da profa. Leyla Perrone-Moisé, Professora Emérita da Faculdade de Filosofia,Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, sobre a morte do prof. Albert Audubert, que ele conheceu em França, e com que troquei correspondência , enviando-lhe meu livro Dicionário de Gíria, por reconhecer sua contribuição para os estudos da gíria brasileira, manifesta no seu livro "Gíria e argot - Dictionnaire d'argot brésilien (gíria) - argot français, na prestigiosa editora Max Niemeyer de Tübingen, com introdução de Kurt Baldinger e prefácio de Haroldo de Campos.

Não consegui me comunicar com a profa. Leyla o que faço aqui, pedindo –lhe desculpas pela republicação do seu artigo, originariamente publicado no Jornal da USP.

"O professor Audubert: intelectual notável e professor fora do comum

O falecimento de Albert Audubert, no dia 29 de agosto, nos priva de um notável ex-professor e de um amigo constante. Ao deixar a USP, onde lecionou por longos anos, Audubert voltou à sua terra natal, a Corrèze, e passou a exercer uma atividade política intensa, no Partido Socialista Francês. Quando, depois de ser prefeito de sua cidade, foi eleito conselheiro geral da região Beaulieu-sur-Dordogne, um jornalista assim o descrevia:

"Um homem forte em todos os sentidos do termo. (...) Fisicamente,

Sobretudo quando ele aparece com sua boina basca; parece um jogador de rugby, por sua corpulência e sua fala. (...) Forte, ele é também e ainda mais no plano intelectual. Esse homem que conservou, de suas origens camponesas, a simplicidade de maneiras, o ar bonacheirão e o amor por seu cantinho de terra, é um brilhante universitário. Agrégé em gramática, Albert Audubert foi um propagador da língua e da cultura francesas no estrangeiro, sobretudo no Brasil, onde dirigiu, durante 14 anos, o Centro de Estudos Franceses da Universidade de São Paulo. Hoje, ele divide seu tempo entre a Universidade de Bordeaux III, onde ensina a lingüística brasileira, e sua cidade de La Chapelle-aux-Saints, da qual é prefeito desde 1977" (Le Populaire du Centre, 23 de março de 1979).

Pareceu-me oportuno citar essa descrição porque ela evoca bem a Presença forte e calorosa de Audubert. Em sua volta à França, ele não foi apenas um político de prestígio, mas também um promotor de importantes ações sociais. Militou ativamente, em sua região, nas associações que trabalham pelo emprego de deficientes, e promoveu uma campanha vitoriosa para que as pessoas mantivessem os idosos em casa, em vez de interná-los em asilos. Seu sobrinho Pierre, seguindo sua orientação, formou-se em medicina em Bordeaux e optou por exercer sua profissão no campo.

Paralelamente a essas atividades, Audubert foi um defensor do ensino da língua portuguesa na França, tendo sido muito influente, como Integrante do Conselho Superior das Universidades, na criação de cargos de professores dessa disciplina. Sua obra publicada confirma esse amor à nossa língua. Enquanto esteve entre nós, colaborou na Revista de História e Língua e Literatura, da USP. Em 1967, publicou em São Paulo Do português para o francês, e em 1972, em colaboração com B. Pottier e C. Paes, Estruturas lingüísticas do português. Em 1980, prestou assessoria à publicação do Dicionário francês-português de locuções, de Aluízio Mendes Campos (Editora Ática). Em 1987, publicou L'usage et le langage de la "maconha (marihuana)" au Brésil (Lisboa-Paris, Fundação Calouste Gulbenkian). E em 1996 publicou sua obra mais importante, Gíria e argot - Dictionnaire d'argot brésilien (gíria) - argot français, na prestigiosa editora Max Niemeyer de Tübingen, com introdução de Kurt Baldinger e prefácio de Haroldo de Campos. Ainda recentemente, em 2000, escreveu um artigo intitulado "La question de La langue nationale au Brésil" (Hérodote, nº 98). Como reconhecimento de sua atuação universitária, foi condecorado com a Ordre National Du Mérite e as Palmes Académiques.

Muitos de nós, que fomos seus alunos ou colegas, lhe devemos muito, e não apenas no campo intelectual. Pessoalmente, não fui sua aluna, porque ele chegou à Maria Antônia quando eu já me havia licenciado. Mas devo a ele minha carreira na USP, pois foi ele que me convidou a voltar, como professora, quando eu lecionava na PUC-SP, em 1970. Acredito que as circunstâncias desse convite merecem ser lembradas, porque dizem muito do professor Audubert. Ele me convidou por telefone, sem que nunca nos tivéssemos visto, e a razão do convite eram os artigos sobre literatura francesa que eu publicava no Suplemento Literário de O Estado de São Paulo e que ele apreciava. Isso aconteceu numa época em que ainda não havia concursos de ingresso, e os "catedráticos" exerciam um poder total sobre as novas contratações. O fato de Audubert ter me convidado por razões exclusivamente intelectuais revela muito da maneira como ele exercia aquela cátedra.

De fato, o período Audubert, em plena ditadura militar, foi marcado pela democratização e pelo abrasileiramento da "cadeira de francês". Os professores franceses anteriores a ele agiam como se estivessem numa colônia francesa, lecionando nos moldes da metrópole e

desinteressando-se até mesmo da língua portuguesa, que se dispensavam de aprender.

Audubert, pelo contrário, integrou-se logo à cidade e ao País. Não apenas falava português correntemente, mas também tornou-se um especialista da língua, o que confirma a disciplina que mais tarde inventaria em Bordeaux, a exótica "Lingüística Brasileira" referida no artigo acima citado. Fez amigos em vários círculos paulistas, desde os universitários e intelectuais até os mais populares. Era muito estimado por artistas e escritores, assim como pelos jornaleiros e vendedores de rua, que o conheciam como o Professor Alberto.

Na área de francês, prestigiou e incentivou os colegas brasileiros que, depois de sua partida, assumiram definitivamente a direção do curso.

Organizou a Associação dos Professores de Francês, que se estendeu

depois em nível nacional. Criou estágios anuais de aperfeiçoamento de

professores de francês na França e incentivou a concessão de bolsas a

estudantes brasileiros. Sua ação não se exerceu apenas na USP, mas

também na Unicamp, onde colaborou para a criação do Instituto de

Estudos da Linguagem, tendo lá deixado amigos e discípulos como Carlos Vogt e Rodolfo Ilari.

No ensino, Audubert teve uma atuação marcante. Não era, absolutamente, um professor comum. Com sua voz tonitruante e sua gesticulação, imprimia um grande dinamismo em suas aulas. Aconteceu-me, uma vez, dar aula na sala vizinha à sua, nas antigas Colméias, onde as paredes eram finas. Ele estava dando um texto de Molière e "representava" todos os papéis da peça, de modo que seus alunos explodiam em gargalhadas; e os meus, ouvindo o tumulto que vinha da sala ao lado, deviam estar achando minha aula muito sem graça.

Sua última passagem pelo Brasil foi motivada pela posse, na Academia Brasileira de Letras, de seu ex-assistente na Universidade de Bordeaux, o poeta Antonio Carlos Secchin. Esteve em São Paulo exatamente no dia em que a professora Véronique Dahlet defendia sua tese de livre-docência em Língua Francesa, a primeira na história do curso. Acompanhei-o então ao Salão Nobre da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), onde sua presença foi festejada por um grande número de ex-alunos, agora professores dos cursos de Letras.

Quero terminar esta minha evocação de Audubert por esse traço característico de sua personalidade, que era o bom humor. Entre os recortes de jornal de sua terra, que ele me mandava regularmente, encontrei a notícia que passo a resumir, e que poderia ter por título "Uma história de cigarras".

Em sua juventude, Audubert trabalhou na equipe do famoso lingüista Von Wartburg, que preparava um grande dicionário etimológico da língua francesa. Nessa equipe, teve por companheiro o suiço Paul Zumthor, que se tornaria mais tarde um medievalista conhecido internacionalmente, inclusive no Brasil, onde esteve ministrando cursos. A amizade entre os dois durou a vida toda. No fim dos anos 70, Zumthor, que residia então em Montreal, comprou uma casa de campo a poucos quilômetros de La Chapelle-aux-Saints.

Os dois lingüistas viviam inventando brincadeiras. Uma delas foi registrada, com aparente seriedade, o jornal La Montagne de 11 de agosto de 1992:

"A cigarra não é mais um inseto, é uma região. A prova é a tese que desenvolve Albert Audubert, prefeito de La Chapelle-aux-Saints, e seu amigo e vizinho de Bilhac, Paul Zumthor. Os dois observaram que a presença das cigarras no sul da Corrèze coincide com traços lingüísticos particulares dessa região, traços que não se encontram mais ao norte."

O jornalista explica a tese: as cigarras demarcariam uma "fronteira" entre dois dialetos diferentes, entre as regiões de Limousin e Quercy. "Com a presença das cigarras, é outro domínio cultural que começa", garante Albert Audubert. "Quando as ouvimos, sabemos que atravessamos um limite",acrescenta Paul Zumthor. O jornalista comenta que "falta provar cientificamente essa afirmação". E Audubert responde: "Veremos isso mais tarde, quando eu me aposentar..."

Albert Audubert já nos faz muita falta.

Leyla Perrone-Moisés é Professora Emérita da Faculdade de Filosofia,

Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP

Xxxxx

 

POEMA PORNÔ

Quer seja curto ou comprido

Quer seja fino ou mais grosso

É um órgão muito querido

Por não ter espinhas nem osso

De incalculável valor

Ninguém tem um a mais

E desempenha no amor

Um dos papéis principais

Quando uma dama aparece

Ei-lo a pular com fervor

Se é um rapaz, estremece

Se é velho, tem pouco vigor

O seu nome não é tão feio

Pois tem sete letrinhas só

Tem um R e um A no meio

Começa em C e acaba em O

Nunca se encontra sozinho

Vive sempre acompanhado

Por outros dois orgãozinhos

Junto de si, lado a lado

O nome destes porém

Não gera confusões

Tem sete letras também

Tem L e acaba em ÕES

Prá acabar com o embalo

E com as más impressões

Os órgãos de que eu falo...

São o CORAÇÃO e os PULMÕES.

PENSOU BESTEIRA, NÃO FOI?

QUE MENTE SUJA, VIU?...

APROVEITA O ÍNICIO DA SEMANA E VAI REZAR...

Xxxxx

 

O título do poema é:

POEMA PORNÔ SÉRIO

DICIONÁRIO DOS TRAÍDOS

Ateu - Aquele que leva chifre e não acredita.

Atrevido - Aquele que se mete na conversa da mulher com o Ricardão.

Banana - Aquele que a mulher vai embora e deixa uma penca de filhos.

Brahma - Aquele que pensa que é o número um.

Brincalhão - Aquele que leva chifre o ano inteiro e no carnaval sai fantasiado de urso.

Camarada - Aquele que ainda empresta dinheiro pro Ricardão.

Cebola - Aquele que quando vê a mulher com outro, só chora.

Crente - Aquele que sempre crê que sua mulher é honesta.

Denorex - Aquele que não parece, mas é.

Descarado - Aquele que leva chifre e ainda sai desfilando com a mulher.

Detetive - Aquele que segue a mulher dos cornos e esquece a dele.

Educado - Aquele que aprendeu com o pai a nunca deixar de cumprimentar o Ricardão.

Elétrico - Aquele que quando o amigo diz:"Tua mulher tá te traindo!" diz, "Tô ligado!".

Familiar - Aquele que só leva chifre de parente.

Fofoqueiro - Aquele que leva chifre e sai contando pra todo mundo.

Frio - Aquele que leva chifre, mas não esquenta.

Iô-iô - Aquele que descobre, vai e volta.

Medroso - Aquele que fica escondido, esperando o Ricardão ir embora.

Masoquista - Aquele que leva chifre, mas não larga a mulher.

Papai-Noel - Aquele que vai embora e volta por causa das crianças.

Político - Aquele que só faz promessa:"Vou matar este cara!".

Preguiça - Aquele que só chega atrasado:"Ainda te pego!".

Salário Mínimo - Aquele baixinho que só comparece uma vez por mês.

Salsa e Merengue - Aquele que chega em casa, vê os Ricardões enfileirados

e exclama: "Epa! Um, dois, três..."

Teimoso - Aquele que leva chifre da esposa e da amante.

Terremoto - Aquele que quando vê a mulher com outro fica tremendo.

Xuxa - Aquele que não larga a mulher por causa dos baixinhos.

Xxxxx

Show da língua portuguesa!

'Um homem rico estava muito mal, agonizando. Pediu papel e caneta. Escreveu assim:

'Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga aconta do padeiro nada dou aos pobres.'

Morreu antes de fazer a pontuação. A quem deixava a fortuna? Eram quatro concorrentes.

1) A irmã fez a seguinte pontuação:

Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

2) O sobrinho chegou em seguida. Pontuou assim o escrito:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres

3) O padeiro pediu cópia do original. Puxou a brasa pra sardinha dele:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

4) Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez esta interpretação:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.

Moral da história:

'A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Somos nós que fazemos sua pontuação.

E isso faz toda a diferença.

 

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