"Agora, numa agradável surpresa: Luiz Carlos de Carvalho dá uma guinada completa em sua produção, apresentando uma linha de trabalhos voltados para a realização de uma estrutura narrativa codificada com segurança a apuro formal".

Carlos Roberto Maciel Levy
Jornal "O Fluminense". Niterói, RJ, 1973.

"Luiz Carlos de Carvalho tem se firmado como um artista inquieto e preocupado com todos os possíveis caminhos a serem eventualmente seguidos por seu trabalho... .

Carlos Roberto Maciel Levy
Jornal "O Fluminense". Niterói, RJ, 1975.

"Penso mesmo que os rápidos registros fragmentários de Luiz Carlos de Carvalho (...) constituem o melhor dos quase 30 trabalhos ali reunidos. Porque nele se nota um vislumbre de segurança da fala e de domínio do instrumental. Já estão dizendo coisas do seu universo interior, de sua visão do mundo. E dizendo bem...".

Roberto Pontual
"Jornal do Brasil". Rio de Janeiro, RJ, 1979.

Luiz Carlos de Carvalho é bem um artista de sua época e da sua sociedade; a sua obra é verdadeiramente criada dentro de uma personalidade responsabilizada, preocupada com a desordem, a necessidade de individualização e o desencontro que sempre existe entre o Homem e a Sociedade.

Helena Cidade de Moura
Rio de Janeiro RJ, 1979.

Os temas são o do cotidiano de uma grande cidade: edifícios, automóveis, publicidade, cultura de massa, praias, carona, sexo, apresentados de forma deliberadamente fragmentária e caótica, tal como vivemos. Cultura mosaico, a fragmentação do meio formal urbano.
Frederico Morais
Jornal "O Globo". Rio de Janeiro RJ, 1979.

"Niteroiense, 28 anos, com seus estudos realizados no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e na Oficina de gravura do Ingá, com um grande número de exposições coletivas e individuais, Luiz Carlos vem se destacando entre nossos gravadores jovens pela qualidade de seu trabalho.
Frederico Morais
Jornal "O Globo". Rio de Janeiro RJ, 1981.

Entendo, no entanto, mais importante falar aqui de uma visão, de uma organização intrínseca do trabalho de Luiz Carlos do que de sua técnica. É um trabalho que apresenta sempre uma constante, que se define numa história em quadros, numa visão múltipla que estilhaça os interesses, que solicita e reparte o autor. São visões de um mundo que nos parece filtradas por uma sensibilidade jovem e pertinaz.

Anna Letycia
Rio de Janeiro, 1981.

Luiz Carlos de Carvalho encontra na cidade a correspondência de sua vontade de conjugar a realidade organizada pela arquitetura e os imprevistos que nela se encontram, sinal de espontaneidade do homem que nela habita.
Seu desenho, ao mesmo tempo em que procura extrair beleza do elemento gráfico fundamental - a linha -, se apóia também nos espaços e nos tipos de estruturas repetidas que produzem o ritmo ora contínuo ora fracionado das cidades.

Abelardo Zaluar
Niterói RJ, 1984.

"... Luiz Carlos de Carvalho atravessou a década de 70 elaborando paisagens urbanas, (em desenhos e gravuras), com claros reflexos da Pop Art, já revelando, porém, no interesse crescente nas estruturas arquitetônicas, um caminhar construtivo que teria como último passo, antes de chegar às pinturas atuais, uma série de trabalhos realizados diante da arquitetura despojada das aldeias do sul da Bahia.
...De fato, os trabalhos atuais de Luiz Carlos, com cores contrastantes, limitadas (ou quase) às primárias e ao preto, apresentam estruturas bastante dinâmicas, dentro de uma "matemática" surpreendente.(...)"
LUIZ SÉRGIO DE OLIVEIRA, 1986

Luiz Carlos de Carvalho trabalha sua tela sob dois ângulos. O primeiro, geometrizando o cromatismo, dividindo-o em áreas que a própria cor delimita; segundo, aproveitando as nuançes colorísticas de uma mesma cor, o que provoca no espectador emoções sensoriais.
O pintor, um dos mais entusiastas da nova geração de artistas plásticos atuantes em Niterói, tem compromisso com o construtivismo, corrente que encontrou entre nós lídimos representantes.
Geraldo Edson de Andrade
Niterói RJ, 1989.

"Aqui nesta exposição, sotto voce, nós vemos Luiz Carlos de Carvalho à procura de sua circunstância, nem suprematismos que trazem a onipotência do nada, nem minimalismos que, também paradoxalmente, aspiram ao máximo, a procura do seu destino íntimo trouxe-o à expressão térrea, terrena, do que - para não fugir da pretensão habitual dos críticos - deixo anunciado e apresentado como reducionismo sensível a modalidade pictórica da poética de Luiz Carlos de Carvalho."
ITALO CAMPOFIORITO, 1991

"Eu sou suspeito para falar de Luiz Carlos de Carvalho, em função da amizade e da enorme admiração que tenho por ele. Tanto a amizade quanto a admiração se construíram a partir do caráter firme e leal deste artista, que me deixa em dúvida se ele é mais competente como Administrador e Organizador ou no manejo (já de mestre) das formas e cores que compõem seus quadros e trabalhos. Seja como for, os movimentos culturais de Niterói sempre saem ganhando com as atividades do pintor seguro e sensível que, vez por outra, cede espaço ao administrador sério e dedicado."
JORGE ROBERTO SILVEIRA, 1992

"Frente ao mundo, Luiz Carlos de Carvalho lança seu próprio sistema intelectual (R. Huyghe). Reduz o acaso das aparências sempre renovadas e fugazes, por meio de uma disciplina, de um ordenamento, duma lógica e de uma harmonia que não estão no mundo mas no seu próprio espírito. Etienne Gilson começa seu tratado sobre Pintura e Realidade questionando: ‘A primeira questão que um filósofo pode lançar a propósito das pinturas ou quadros é sobre sua existência.’ O aniquilamento presente nas telas e a imaterialidade nos desenhos de LCC nos podem pôr diante de semelhante dúvida, diante da sensação de estar em alguma periferia da arte do desenho, caminhando na beira do abismo."
GUSTAVO ROCHA-PEIXOTO, 1995


As Linhas de Terra de Luiz Carlos de Carvalho

São Domingos é um lugar mágico.
Um pequeno bairro histórico, com seu casario tradicional, denunciador da história da cidade, de suas lembranças, de sua própria identidade.
É na pequena e boêmia praça Leoni Ramos, povoada por estudantes, artistas e poetas, que se encontra um sobrado art déco em cujo interior se instalou o atelier de Luiz Carlos de Carvalho. É aí que deparamo-nos com um mundo de formas, cores e devaneios.
Quem percorre os caminhos existentes entre os trabalhos de Luiz Carlos - telas, papéis, madeira, ferro, pigmentos -, inicia um profundo trajeto em direção ao fundo da Terra; uma viagem poética entre os espaços plenamente preenchidos ou plenamente vazios de suas pinturas ou objetos escultóricos.


Luiz Eduardo Pinheiro
Niterói, outubro de 1998.