Jornal Mensal em idioma gírio. Edição 043 - ANO Vl – Niterói/RJ – Maio-Julho de 2006

Nesta edição do Jornal da Gíria

1) atualização das referências da mídia brasileira sobre a 7a. edição do Dicionário de Gíria, principalmente pela publicação de entrevista no site da Rede Globo de Televisão sobre a novela Belíssima e de entrevista na Revista Brasília, do Correio Braziliense.
2) Publicação do que foi divulgado no site de Belíssima.:
3) Publicação de uma fornada de gírias portuguesas, extraídas, contextualizadas, do interessante livro de Margarida Rebelo Pinto, Alma de Pássaro, o que confirma que a gíria (calão para os portugueses) está sendo modernizada lá também. Quem imaginou que Portugal velho de guerra ficaria pra trás se lascou.
4) Publicação de um dos mais notáveis cronistas brasileiros, Ivan Lessa, que fez carreira e se consagrou na BBC de Londres. Suas crônicas podem ser lidas em bbcbrasil.com.Br/uk
5) O futuro da língua portuguesa, e-mail que me enviou o Waldin Rosa de Lima.

Em primeiro lugar, dois fatos relevantes:
1) estamos na reta final de comercialização da 7a.edição do Dicionário de Gíria. Restam poucos exemplares. Por isso estamos com a promoção estampada no “pop-up” da página.
2) Agradecemos aos quase 202 mil visitantes da página, inegavelmente prestando serviço na renovação da língua portuguesa.

1 – o que a mídia brasileira publicou sobre a 7a. edição do DICIONÁRIO DE GÍRIA
O Povo, de Fortaleza/CE, registro na coluna Vale Tudo, de Alan Neto, em 10.04.2005;
Jornal do Commércio, do Rio de Janeiro/RJ, registro na coluna de Aziz Ahmed, em xxx
Jornal do Commércio, do Rio de Janeiro/RJ, “Gíria é tema de novo Dicionário”, em l0.04.2005;
Diário do Nordeste, de Fortaleza/CE, registro na coluna de Lustosa da Costa, em 28.04.2005;
Diário do Nordeste, de Fortaleza/CE, registro na coluna de Brasília, de Rangel Cavalcante, 1º/05/2005;
Florida Review Magazine Brazil, de Miami/EUA. Registro na coluna de Rangel Cavalcante, na 1ª. Quinzena de maio de 2005;
Jornal do Comércio, de Manaus/AM, “Sétima edição do Dicionário de Gíria”, de 16/17/18. 05.2005;
Jornal da Comunidade, de Brasília/DF: “Com quantas gírias se faz uma língua portuguesa”, em 4-10.06.2005;
Correio Braziliense, Brasília/DF: “Língua viva sai das ruas e vira verbetes”, em 12.06.2005;
O GLOBO, Niterói/RJ, registro na coluna de Gilson Monteiro, em 19.06.2005
Entrevista concedida à TV Diário, de Fortaleza/Ce.
Entrevista ao programa de Palavra, do prof. Sergio Nogueira Duarte, que foi ao ar na Rede STV, nos dias 27.28.30.06 e 1.2.3.07.2005
Entrevista no programa Hoje em Dia, da Rede Record, com Brito Jr. E Ana Hickmann, em 23.08.2005.
O GLOBO, 2º Caderno, Rio de Janeiro/RJ, “O mensalão” na língua portuguesa veio para ficar. Próxima edição do Dicionário de Gíria vai registrar termo, assim como “valerioduto” e outros”, de Orivaldo Perin, 31.10.2005.
Radio Roquete Pinto, Rio de Janeiro/RJ, Programa “Show da Notícia”, com Mauro Belizário, 31.10.2005, 9h50m.
Radio Haroldo de Andrade, Rio de Janeiro/RJ, Programa “Haroldo de Andrade”, 07.11.2005, 10h15m
Radio Eldorado, São Paulo/SP, Programa “Panorama na Cultura”, com Leandro Andrade, 08.11.2005.
Entrevista para o Bom Dia Brasil, da Rede Globo de Televisão, exibido em 29.12.2005; sobre “A Polêmica das gírias”, apresentado por Edney Silvestre.
Entrevista para o Espaço Aberto Literatura, da GloboNews, apresentado por Edney Silvestre, exibido em 05.01.2006
Entrevista para o site de Belíssima, novela da Rede Globo de Televisão
Entrevista para a Revista Brasília, do Correio Braziliense, de Brasília/DF, em 14.05;2006


2 - . Belíssima
Gírias antigas
Veja o signifcado das gírias de Mary Montilla (Carmem Verônica) e Guida Guevara (Íris Bruzzi)
O tom de comédia está sempre presente nas cenas entre Mary Montilla e Guida Guevara. Para completar, as duas ainda apimentam os diálogos divertidos com gírias que eram a sensação no tempo do onça. O autor Silvio de Abreu traduziu algumas dessas palavras. Confira
Charivari
Carraspana
É, bebé!
Do arco da velha
Estrepar
Mambembada
Fidelidade sem numerário, vou te contar!
Me achei um chuchu!
Não vai ser bolinho
Nerusca de pitibiribas
Que maçada
Tetéia
Trombuda
Vá chupar um pirulito
Vai ser um chuá
Para bom entendedor, uma gíria basta! No caso das ex-vedetes Mary Montilla e Guida Guevara, então, uma gíria das antigas é uma mão na roda. A dupla da pesada, ainda que pra lá de antenada, volta e meia revira o baú e traz à tona expressões do arco da velha como: carraspana, mambembada, chuchu...

Segundo JB Serra e Gurgel, professor da UnB (Universidade de Brasília) e que estuda gírias há 20 anos, as gírias surgem como expressões facilitadoras da comunicação e da compreensão entre as pessoas. ”Elas têm sua época. Mas há muitas gírias antigas que acabam voltando. Não se trata de saudosismo, mas um revival da linguagem. Muitas vezes, a gíria traduz melhor, de forma mais compreensível, algo que uma palavra clássica acabaria por complicar”, explica JB.

E não é à toa que as personagens da trama costumam ressuscitar essas palavrinhas tão divertidas. Afinal de contas, elas continuam dando um bom caldo nos diálogos da dupla! “No acervo de gírias por mim identificado no Brasil desde 1854, as expressões que caducaram são muitas, mas há um belo acervo que continua presente no nosso dia-a-dia, com vigor”, conta o professor. Mary e Guida certamente são duas das pessoas que ajudam a manter este acervo sempre presente, ainda que muitos não entendam exatamente o que elas estão querendo dizer... Como já dissera Mary, se Guida fizesse um dicionário pra múmias descoladas de visita ao Brasil, ganhava muito mais do que com o show que ela tanto sonha!

Quer conhecer o significado destas palavras e expressões que são diversão certa na boca das personagens? Então clique no link acima e veja a tradução delas
http://belissima.globo.com/Novela/Belissima/0,,AA1164654-4998,00.html

3- - As novas gírias portuguesas

ALMA DE PÁSSARO é um achado. Talvez eu exagere quando afirmo que é o primeiro livro português escrito no idioma gírio. Sua autora MARGARIDA REBELO PINTO é uma das maiores revelações da nova literatura portuguesa.

Lembro os livros brasileiros escritos em idioma gírio: Memórias de um Sargento de Milícias, o Cortiço, Os Brunzundangas e Cidade de Deus..

O livro é um “best-seller” Teve generosa apresentação na revista ÉPOCA, de 19.09.2005, através de Martha Mendonça;.
Traz um glossário no final para o leigo entender o calão português, apresentado como se fosse neologismo.

Vamos lá:

Abrir as asas (PT) loc ver ir embora. “E se um dia destes o Miguel acorda e decide abrir as asas e cruzar os céus”?
Achar piada (PT) loc ver estar interessada. “Deve ter adorado a idéia de eu o ir buscar Faculdade , e eu também acho piada”.
Alma de porteira (PT) loc. sub.bisbilhoteiro. “O que ele tem a ver com a minha vida? Alma de porteira”.
Andar à pêra (PT) loc ver ficar agressivo.”Já em puto nunca andava à pêra”.
Andar nas palminhas (PT) loc sub andar nos trinques. “ O Filipe andava nas palminhas, no seu estilo discreto”.
Antípodas (PT) adv do lado oposto. “Desculpa o desabafo, mas estou nos antípodas, ou talvez esteja muito perto da perfeição”.
Apanhar bebedeira (PT) loc ver beber demais. “Ele quer sair à noite com os amigos, apanhar bebedeiras e sacar claudias”.
Armada em frescas (PT) loc adj excitadas. “No circuito colunável de verão, no Algarve, as tias armadas em frescas, outro por todos os lados, circulam em jeeps e descapotáveis”.
Baldar (PT) v.t. ir embora. “O marido se baldara de casa para ir viver com a professora de Taekwon Do”.
Bater aos pontos (PT) v t ganhar, superar. “Tu andas-me a bater aos pontos”.
Beber copo (PT) loc. ver. tomar drinque, beber. “Se tu achas natural que o teu namorado vá beber copos com uma amiga, então já não digo nada”.
Bestial (PT) s.m excepcional, excelente. “Eu voltei a sentir que estar viva afinal pode ser uma coisa bestial”.
Bicho do mato (PT) loc sub estranho. “O Rui era um bicho do mato sem paciência para gajas”.
Bimbo (PT) s.m. brega. “Se alguém nos ouvisse, ganhávamos o campeonato dos diálogos mais bimbos do ano”.
Bolas! (PT) interj. “Nunca te enganei, bolas!”
Bouga (PT) s.f. simplórias, pobres, feias. “As pázinhas do Montijo são bougas”.
Brasa (PT) s.m. bom, bonito. “O Orlando Truta é uma brasa...”
Brincar às casinhas (PT) loc ver viver a dois, em harmonia. “ Mulheres com passado gostam de homens com futuro. É bom para quem gosta de brincar à casinhas, como tu e o Miguel”.
Cabrão (PT) loc sub filho da mãe, safado. “Só pensava no ex-namorado, que além de ser um cabrão também era casado”.
Cambada de balzaquianas (PT) grupo de mulheres de meia idade, velhas. “Cambada de balzaquianas”
Cambado (PT) a.m. velho, usado. “O Victor entra na sala com os sapatos cambados”,
Camisa de ganga (PT) loc subcamiseta jeans. “Vesti uma camiseta jeans de marca, já um bocado ruça”.
Cancro (PT) s.m câncer. “Se tiveres um cancro ou uma merda parecida será complicado”.
Caramelo (PT) brega convencido. “Kiko poderia ter sido há um ano meu caramelo”
Carrapito (PT) s. m topete. “A empregada de avental passa as mãos pelo cabelo oleoso, que se arruma num carrapito indescritível”.
Carrinha (PT) s.f. carro utilitário. “Entramos na carrinha e eu ponha a cassete de costume”.
Casa de banho (PT) loc sub. banheiro. “A gaja passou do quarto para a casa de banho”.
Catrefada (PT) s.f. muito, demais. “O texto da Mónica tinha muitos clichês e uma catrefada de erros de ortografia”.
Cena macaca loc sub cena despropositada. “Mas é que é uma cena macaca”, disse se lançando num ataque de riso”.
Chávena (PT) s.f. xícara. “Ficamos os dois calados a olhar para o fumo dos cigarros que se confunde com o que sai das chávenas de café”.
Chorar baba e ranho (PT) loc ver.lamentar-se. “Eu sentada no Jardim da Estrela a chorar baba e ranho. Tinha apenas 15 anos”.
Chucha (PT) s.f. chupeta
Chuchar (PT) v. trans. sugar . “Ela continua a comer a chuchar o leite pela tampa do copo”.
Com sistema de refrigeração no sangue (PT) loc sub. Frio, calculista. “O Rui faz parte daquele gênero filha da puta com sistema de refrigeração no sangue”.
Coiro s.m. (PT) pessoa feia. “As gajas são uns coiros”.
Comboio (PT) s.m. trem. “Carolina tinha estado a montar um comboio”.
Comprar casa de cidade e de campo a meias (PT) loc sub quando duas pessoas compram uma casa para compartilhar nas férias. “Se um dia deste me apetecer, vou comprar casa de cidade e de campo a meias”.
Condista (PT) s.m. condutor de trem. “Condista é uma mistura de condutor de trem com maquinista”
Contencioso (PT) secção de conflitos jurídicos de uma empresa. “A Silvia trabalha no contencioso”.
Cotomiço (PT) s.m.apelido carinhoso para criança pequena. “O cotomiço dizia tudo o que lhe passava pela cabeça”.
Dar corda aos sapatos e ala que se faz tarde! “ (PT) loc sub por alguém para fora da vida e ir embora! “Levava uma corrida que se punha mansa num instante,ou então dava-lhe corda aos sapatos e ala que se faz tarde”!
Dar um estalo (PT) loc ver bater. “O meu pai me deu um estalo com toda a força”.
Dar uma tampa (PT) loc. ver dar o fora. “Acho que foi a primeira vez que me custou a dar uma tampa”.
Deixar de tangas (PT) loc ver deixar de mentiras. “Estás é com remorsos, deixa-te de tangas”.
Desatar num berreiro (PT) loc ver chorar. “A miúda desatou num berreiro”.
Descapotável (PT) s.m. conversível. “No Algarve, no verão, há jeeps e descapotáveis”.
Desmancho (PT) s.m. aborto espontâneo. “A Ana poderia ter um desmancho com o susto, se lhe contasse a do legionário”.
Duche (PT) s.m. banho. “O duche não faz parte do seu dia-a-dia”.
Em barda (PT) loc sub uma atrás da outra, em série. “Nuno e Mônica não se coíbem de pedir caipiroskas em barda”.
Embirrar (PT) v.t. fazer pirraça, implicar. “Não tenho grande paciência para a Ana, sempre a dar opiniões e a embirrar com toda a gente”.
Embirrar à brava (PT) loc ver implicar. “Rui embirra à brava com a Kátia”.
Engolir a tanga à primeira (PT) loc ver.acreditar em uma mentira sem duvidar. “O Rodrigo não consegue fechar a boca, engoliu a tanga à primeira”.
Ensaboadela (PT) s.f. repreensão. Levei logo uma ensaboadela”.
Espingarda (PT) s f. eficiente. “A Célia não é grande espingarda, mas tem hora de entrada e saída”.
Estar a letes (PT) loc ver não saber o que se passa. O Filipe prima pela discrição, mas a minha cara não engana ninguém. Estou complemente a leste”.
Estar nas tintas (PT) loc ver não ligar a mínima. “Estou nas tintas para dinheiro, desde que me dê para comprar livros e discos”.
Estar pelos ajustes (PT) loc ver fora de si. “Eu que já não estava pelos ajustes, enfiei-lhe uma galheta”.
Estar tramada (PT) loc ver ferrada. “Por isso ou me concentro no trabalho ou estou tramada”.
Estores (PT) s.f.p. persianas. “O Miguel fecha a porta da sala, baixa os estores”.
Feita num oito (PT) loc sub muito cansada. “Como está? Feita num oito”.
Falhanço (PT) s.m. derrota. “O medo é sempre indissociável de uma sensação de falhanço”.
Farripa (PT) s.f. cabelo. “Ela usa o ultracurto e ultramoderno, e consegue sempre ter todas as farripas no lugar”.
Fazer birra (PT) loc ver. fazer pirraça.”Carolina estava a fazer birras porque não encontrava o ferro de engomar da Barbie”.
Fazer uma directa (PT) loc. ver passar uma noite em claro. “Estive a noite inteira acordada à espera, fiz uma directa, não conseguia dormir”.
Fazer uma gaja (PT) loc ver. Comer, transar. “ São mesmo uns animais. Eles pensam mesmo assim! Fazer uma gaja. Como comer um bife”.
Fixe (PT) a m. legal, bom. “Já ninguém diz fie. Soa-me a campanha eleitoral de esquerda festiva”.
Foleira (PT) s.f. sem graça, ruim. “Que palavra ais foleira, mas foi o que me saiu”.
Galão (PT) s.m. café com leite. “Como estou exausta, e me fazia bem um galão, aceito a idéia”.
Galar (PT) v.t comer com os olhos. “Comecei a galhar-lhe da bunda, daquelas em pera, mas subidas”.
Galheta (PT) s.f. tapa. “Enfiei-lhe uma galheta que ficou marcada na cara”.
Garganta (PT) s.f. pessoa pretensiosa. “Coitada da Teresa, é garganta”.
Gelado (PT) s.m. sorvete.”Vais comer gelado com os amigos?”
Gira (PT) s.m legal, boa. “Quero ser tão gira quanto a mãe”.
Gramar à brava (PT) insistir, empenhar-se. “Eu gramava à barra arranjar uma miúda a sério. Isto de andar a comer gajas também, ás tantas, cansa um bocado”.
Grossa (PT) s.f. bêbada.”Continuamos na senda das caipiroskas e já estou completamente grossa”.
Histórias macacas (PT) loc sub histórias incríveis. “Estou a ver que vou ter um serão com histórias macacas dos episódios sexuais do Duarte com as Claudias da vida”.
Horas extraordinárias (PT) loc sub horas extras. “Cabrão estiveste a fazer horas extraordinárias com uma gaja no contencioso”.
Jogar à macaca (PT) loc. ver. jogar amarelinha. “Entro no pátio onde a Carolina joga à macaca com mais crianças”.
Mandar uma trancada (PT) loc ver. Transar. “Íamos almoçar de vez em quando e, quem sabe, até mandar uma trancada”.
Marica (PT) a.f. fraco, mole. “Os homens são mesmo uns maricas”.
Massa (PT) s.f. dinheiro. “O pai tem massa que nunca mais acaba”.
Memé (PT) s.m. ovino, carneiro, bode. “Vamos lá em abaixo ver as vacas e os memés”.
Miúda (PT) s.f. menina, jovem. “Com essa cara e esse corpo deves sacar as miúdas todas que queres”.
Multibanco (PT) s m. cartão do banco. “Dei por falta do multibanco e cancelei-o imediatamente”.
Okapa (PT) interj. Ok, ótimo, legal. “Okapa, respondo para não destoar”.
Pai Natal (PT) loc sub Papai Noel. “O Pai Natal existe”.
paneleiro (PT) s.m. gay. “Sempre gosei de comer gajas, e quem na gosta é paneleiro”.
Parva (PT) a. f. tola. “As mulheres adoram fazer-se de parvas”.
Parvalhão (PT) s.m. tolo. “Parvalhão. Do que este palhaço foi se lembrar”.
Parvoíce (PT) s.f. tolice. “Não estás com aquelas parvoices na cabeça de seres mais velha!”
Passar a ferro (PT) loc ver transar. “Tu não descansas enquanto não a passares a ferro”Pázinha do Montijo (PT) moça bouga da periferia. “Se e tivesse uma namorada como a tua, não andava a comer as pázinhas do Montijo”.
Pequeno-almoço (PT) loc.sub café da manhã. “As pernas finas e pequenas ginasticam-se até a cozinha onde lhe preparo o pequeno-almoço”.
Pila (PT) pênis s.m. “Ela fez-me sentir que afinal não era só um tipo com pila”.
Podre de boa (PT) loc adj. Bonita, linda. “O Rui conheceu uma gaja podre de boa”.
Porreiro (PT) a m. muito legal. “Comecei a pensar que talvez fosse porreiro arranjar uma namorada”.
Portagem (PT) s.f. pedágio. “ Carolina adormeceu logo que passamos a portagem”.
Praça de táxis (PT) loc sub ponto de táxis. “Pergunto onde é que há uma praça de táxis”.
Pratada (PT) s.f. prato cheio. “Inês vestiu Carolina à pressa, depois de lhe ter dado a sacramental pratada de corn flakes”.
Pronta pra ser virada (PT) loc. ver. no ponto. “Ela já estava pronta para ser virada”
Puto (PT) s.m. menino, jovem. “Com esse puto, não vais a lado nenhum”.
Que lata! (PT) interj. “Que lata! Esta nova geração ao deixa de me espantar”.
Rabo (PT) s.m. nádegas. “Mônica chegou com umas calças encarnadas que lhe marcam o rabo”.
Renda (PT) sf. Aluguel. “Quanto a renda do apartamento?”
Ruça (PT) a f velha, desbotada. “Vesti uma camiseta jeans de marca, já um bocado ruça”.
Sacar as miúdas (PT) loc.ver dar em cima das mulheres jovens. “Com essa cara e esse corpo deves sacar as miúdas todas que queres”.
Sacar claudias (PT) loc. ver dar em cima das mulheres. “Ele quer sair à noite com os amigos, apanhar bebedeiras e sacar claudias”.
Ser uma couve (PT) loc ver pessoa pouco inteligente ou sem interesse. “O Pedro era uma couve”.
Sexo fácil e de borla loc sub sexo fácil e grátis. “Se eu posso ter sexo fácil e de borla, por que não hei de aproveitar?”
Telemóvel (PT) s.m. celular. “Observo-lhe o telemóvel topo de gama com ligação wap”.
Ter safa (PT) loc.ver. não ter jeito. “Este gajo não tem safa”.
Ter tomates nos ovários (PT) loc.sub mulher forte, com força, determinada. “Se diziam que a Thatcher tinha tomates nos ovários”.
Topo de gama (PT) loc. sub. top de linha, última moda. “Observo-lhe o telemóvel topo de gama com ligação wap”.
Tratar nas palminhas (PT) loc.ver. cuidar com muita atenção. “Aqui é tratado nas palminhas, embora às vezes tenha que ir à farmácia comprar ampolas de paciência”.
Trica (PT) s.f. intriga. “Qualquer dia vou comprar A Bola para discurtir com ele as tricas do Benfica”.
Tusa (PT) tesão s.f. “Não fiquei chateado, ela me dava usa, tinha umas boas mamas”.
feita pelo autor Silvio de Abreu!

4 - Our língua
Crônica publicada no site da BBC Brasil, de 17.12.2005


The cow went to the swamp. A vaca foi pro brejo. Copiráite de Millôr Fernandes.
Alô, boy, alô, Johnny, esse negócio só pode ser conversa de telefone. Direitos autorais para Noel Rosa.
Já se pode dizer, quase que literalmente (um outro cacoete nosso), que há séculos que se trava um verdadeiro catch-as-catch-can (eu prefiro “pega pra capar”) entre o português do Brasil e… e o português do Brasil, pomba!
Muitos disputam a renhida contenda. Os puristas ultrapassados (datados?), de bigodinho e palheta, berrando “Homessa” e que, exaltados, sapecam exclamações em francês: e tome “Sacrebleu!” e “Ça Alors!”.
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Os flexíveis que, no corpo a corpo, vão incorporando e incorporando. Deles é o reino da tecnologia (“deletar”, “printar”, “logar”), do cinema e da televisão.
São os culpados pelos choques e desastres que acabam aceitos pelas 5 mil pessoas responsáveis pela condução da língua portuguesa falada e escrita no Brasil: jornalistas ou telenovelistas.
O resto escuta, passa adiante e estamos aí. Não esquecendo aquela pior das possibilidades: o “cenário”.
No meio dessa lenha toda, de deputado querendo multar e prender quem violar o que chama de língua pátria, no meio do olhar sereno e festivo da Academia Brasileira de Letras, cuja única função seria cuidar dessas coisas, mas que prefere conferir os aluguéis dos imóveis que possui, no meio disso tudo, dizia eu, a inventividade foi para o beleléu, para dar alento novo a gíria velha, já que – e aí está meu "point" – não há gíria nova.
Não é só gíria. São expressões, exclamações, bordões, invenções enfim. Nós paramos. Ficamos feito São Paulo que, num dicionário de expressões populares, só contaria com uma única entrada: “Ô lôco sô”.
Mais do que encontrar equivalentes, o negócio é inventar dificuldades para os tradutores de Paulo Coelho.
Fazer como James Daly, gerente de teatro em Dublim, na Irlanda, que, em 1782, apostou que em 24 horas introduziria uma palavra nova na língua inglesa.
Tacou em giz pelos muros e paredes da cidade a palavra “quiz”. Logo só se falava nisso. Daly faturou a aposta.
Uma coisinha: sem ser o verbo (questionar), alguém tem alguma sugestão para a tradução de “quiz”?

5 - O futuro da língua portuguesa

Eis o que recebi por e-mail do amigo Waldin Rosa de Lima, que com sua esposa, Divina, tanto me ajudou a elaborar a primeira edição do DICIONARIO DE GIRIA e que tanto colaborou para que fosse pela primeira vez ao JO SOARES.
A primeira edição do Dicionário tinha apenas 6.000 verbetes. A 7a. tem 28.500.
É como se tivesse acrescentado quase quatro edições. O que mostra a força da gíria.

Eis aqui um programa de cinco anos para resolver o problema da falta de autoconfiança do brasileiro na sua capacidade gramatical e ortográfica. Em vez de melhorar o ensino, vamos facilitar as coisas, afinal, o português é difícil demais mesmo. Para não assustar os poucos que sabem escrever, nem deixar mais confusos os que ainda tentam acertar, faremos tudo de forma gradual.

No primeiro ano, o "Ç" vai substituir o "S" e o "C" sibilantes, e o "Z" o "S" suave. Peçoas que açeçam a internet com freqênçia vão adorar, prinçipalmente os adoleçentes. O "C" duro e o "QU" em que o "U" não é pronunçiado çerão trokados pelo "K", já ke o çom é ekivalente. Iço deve akabar kom a konfuzão, e os teklados de komputador terão uma tekla a menos, olha ó ke koiza prátika e ekonômika .

Haverá um aumento do entuziasmo por parte do públiko no çegundo ano , kuando o problemátiko "H" mudo e todos os acentos, inkluzive o til, seraum eliminados. O "CH" çera çimplifikado para "X" e o "LH" pra "LI" ke da no mesmo e e mais façil. Iço fara kom ke palavras como "onra" fikem 20% mais kurtas e akabara kom o problema de çaber komo çe eskreve xuxu, xa e xatiçe .

Da mesma forma, o "G" ço çera uzado kuando o çom for komo em "gordo", e çem o "U" porke naum çera preçizo, ja ke kuando o çom for igual ao de "G" em "tigela", uza-çe o "J" pra façilitar ainda mais a vida da jente.

No terçeiro ano, a açeitaçaum publika da nova ortografia devera atinjir o estajio em ke mudanças mais komplikadas serão poçiveis. O governo vai enkorajar a remoçaum de letras dobradas que alem de desneçeçarias çempre foraum um problema terivel para as peçoas, que akabam fikando kom teror de soletrar. Alem diço, todos konkordaum ke os çinais de pontuaçaum komo virgulas dois pontos aspas e traveçaum tambem çaum difçeis de uzar e preçizam kair e olia falando çerio já vaum tarde .

No kuarto ano todas as peçoas já çeraum reçeptivas a koizas komo a eliminaçaum do plural nos adjetivo e nos substantivo e a unificaçaum do U nas palavra toda ke termina kom L como fuziu xakau ou kriminau ja ke afinau a jente fala tudo iguau e açim fika mais faciu. Os karioka talvez naum gostem de akabar com os plurau porke eles gosta de eskrever xxx nos finau das palavra mas vaum akabar entendendo. Os paulista vaum adorar. Os goiano vaum kerer aproveitar pra akabar com o D nos jerundio mas ai tambem ja e eskuliambaçaum .

No kinto ano akaba a ipokrizia de çe kolokar R no finau dakelas palavra no infinitivo ja ke ningem fala mesmo e tambem U ou I no meio das palavra ke ningem pronunçia komo por exemplo roba toca e enjenhero e de uzar O ou E em palavra ke todo mundo pronunçia como U ou I, i ai im vez di çi iskreve pur ezemplu kem ker falar kom ele vamu iskreve kem ke fala kum eli ki e muito milio çertu ? os çinau di interogaçaum i di isklamaçaum kontinuam pra jente çabe kuandu algem ta fazendu uma pergunta ou ta isclamandu ou gritandu kom a jenti e o pontu pra jenti sabe kuandu a fraze akabo .

Naum vai te mais problema ningem vai te mais eça barera pra çua açençaum çoçiau e çegurança pçikolojika todu mundu vai iskreve sempri çertu i çi intende muitu melio i di forma mais façiu e finaumenti todu mundu no Braziu vai çabe iskreve direitu ate us jornalista us publiçitario us blogeru us adivogado us iskrito i ate us pulitiko i u prezidenti olia ço ki maravilia
6- Continua à Venda a 7ª edição do Dicionário de Gíria
Veja como é facil adquirir um exemplar autografado.

7a. edição do DICIONÁRIO DE GÍRIA, com 722 páginas e 28.500 verbetes, - tendo como novidades as datas prováveis das gírias, os locais prováveis onde surgiram e incorporando gírias de Portugal - está à venda nas principais redes de livrarias livrarias do paíspoderá ser solicitada pelo e-mail Gurgel@cruiser.com.br
ou pelo Correio, por um preço promocional, postagem incluída, a:
JB Serra e Gurgel,
Rua Álvares de Azevedo, 39, apto. 1401,
Icaraí
Niterói/RJ
24.220.020
ou a
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SQS 302, Bloco A, apto.607,
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